Presidente Lança Nota Sobre Exoneração d

Presidente Lança Nota Sobre Exoneração do Prof. Dirceu Greco da Direção do Departamento DST/AIDS¹

Nesta manhã de quarta-feira, 05 de junho, acordamos com a notícia da exoneração do Diretor do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais, Dirceu Greco pelo Ministro da Saúde, em função de publicidade sobre prevenção de DST veiculada no dia Internacional da Prostituta.

O Professor Dirceu Greco é um eminente infectologista, professor titular da UFMG, e um dos pioneiros da Bioética brasileira. Seu trabalho à frente do Departamento DST/AIDS tem o reconhecimento da comunidade acadêmica, da área técnica do Ministério da Saúde e dos movimentos sociais de pessoas vivendo com AIDS e outras DST. Durante sua gestão, os dados demonstram ampliação de cobertura no acesso a tratamento e maior eficiência de medidas preventivas. Além disso, o Departamento pautou-se por uma construção de atuação a partir do diálogo com grupos sociais estigmatizados, contribuindo para autoestima desses grupos, redução da discriminação e elaboração de ações com maior poder de aceitabilidade.

E foi justamente em uma oficina sobre prevenção de DST/AIDS com prostitutas, de onde emergiram as ideias para a publicidade. Em um dos cartazes, uma mulher comum sopra um beijo na palma da mão e diz: “Um beijo para você que usa camisinha e se protege de HIV/AIDS, DST e Hepatites Virais”. No outro, uma outra mulher comum bate no peito e diz: “Sou feliz sendo prostituta”.

Este segundo cartaz foi o que parece ter despertado a maior indignação. Segundo os jornais foram as pressões da bancada evangélica que levou o ministro a exonerar o Prof. Dirceu Greco em 72 horas após a veiculação. O atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Deputado Marco Feliciano classificou de “famigerada” a campanha. Um outro deputado, compara prostitutas a portadores de perversões, quando disse esperar agora, uma campanha que diga: “sou pedófilo, sou feliz” e uma outra deputada afirmou que era um desserviço à sociedade, pois a condição dessas mulheres não lhe permitem serem felizes.

O filósofo Friedrich Nietzsche criou a expressão “moralina” para designar uma espécie de produto subjetivo tóxico que escorre de uma moral própria daqueles que negam a realidade como ela é, e que põe seus valores abstratos, seus conceitos autônomos acima da verdade da vida e do sofrimento. Segundo o filósofo, essa moralina não é senão uma moral superficial e hipócrita que se infiltra no tecido social e nas estruturas do Estado, como expressão de ódio e de apetite de vingança pelos diferentes. Ela inspira então ações estratégicas para enquadrar os diferentes em seu padrão de moralidade.

Adequando à nossa realidade, podemos constatar que é fruto dessa moralina a proposta de tratar a homossexualidade como doença, ignorando toda a produção antropológica e histórica que demonstra nunca ter havido civilização sem homossexualidade e de serem muitas e variadas as visões morais criadas sobre esse comportamento através dos lugares e tempos. É ela também que inspira a postura de ignorar estrategicamente a existência das prostitutas e ignorando-as, permitir que sofram violência, que sejam exploradas no trabalho, e que se lhes negue o direito à autoestima e à felicidade. A moralina brasileira parece querê-las sempre no lugar de Madalenas apedrejadas, à espera de redenção.

Triste é ver como os acordos políticos e os projetos de poder nesse país tem contribuído para a manutenção e expansão tóxica dessa moralina na sociedade brasileira. Parabenizo o Prof. Dirceu Greco e sua equipe, por terem encarado a realidade. É preciso que as campanhas de prevenção de DST/AIDS e Hepatites Virais cheguem aos milhares de cabarés existentes no país, e nos bares de beira de estrada, é preciso que as campanhas não tenham conteúdos culpabilizadores nem vitimizadores dos comportamentos, para que possam comunicar-se efetivamente com os sujeitos alvos. Lamento a fraqueza do Ministério em fazer com que o país perca um gestor dessa…

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