“Eu não posso ficar sem, doutor…” Oi

“Eu não posso ficar sem, doutor…”

Oi. Tá certo. Não costumo falar da clinica nesse espaço…
Este texto despretencioso é apenas um desabafo e não fala de ninguém em particular, só advirto sobre o cuidado com os modelos de chapéus que são oferecidos…
Mas tenho ouvido uma frase sempre e de tanta gente que resolvi escrever.
O título deste pequeno opusculo que reflete muitas falas e muitos viézes. Explico.
Às vezes, não raro a conversa começa com uma dor física que se esparrama pela pela pessoa, como se um gel ou líquido viscoso, que transforma as queixas em um sofrimento, sofrimento que raramente seja o médico ou outro profissional pode abarcar ou abordar… Pelo menos pelo prisma das teorias acabadas, que aliás, não passam disso: modelos ou ferramentas que até podem explicar alguma coisa, às vezes… Abençoado o profissional que tem muitas ferramentas na valize!
Mas esse sofrimento inicial (revestido de um modelo ou verniz, biomédico, mesmo que a pessoa não saiba o que isso significa,,,) leva à insustentável angústia por medicações que hajam no sofrimento (“illness”) e muito longe das doenças (“disease”), área tão querida de alguns profissionais da “saúde”.
Medicalizar, psicologizar, enfermerizar (?), e assim sucessivamente pode ser um exercício diário perigoso: nos leva a encaixotar (nos diagnósticos) as queixas daqueles que nos procuram e claro, dar soluções simplistas & reducionistas para os mesmos… Uma delas a prescrição de psicofármacos, como soluções “prá tudo o que houver de errado nessa vida…”
Tá OK. Exagerei, mas quase sem querer falei a verdade.
São prescrições infindas de antidepressivos, antipsicóticos, vários sem nenhuma efetividade comprovada, e finalmente, precisamente (como navegar), os benzodiazepínicos: o “santo graal” da “fidelização do cliente”: medicações associadas à dependencia química (“Volte Sempre!”), à quedas & fraturas, à Doença de Alzheimer, “a apatia emocional”…
Claro que nem tudo é dinheiro & mercado, e a ignorância “bem intencionada” de alguns profissionais, que lembra, quase à piedade, o mal profissionalismo, a arrogância, a desatualização, e uma vontade “doida” de consertar as pessoas que o procuram, como se isso fosse possível,e que levam às prescrições destes fármacos (receita azul, tarja preta).
Na verdade questiono muito isso: o profissional que sabe que vicia seus pacientes de propósito e com isso tem beneficios pessoais diretos ou então “santo ingenuo e ignorante” que prescreve benzodiazepínicos como panacea…Qual destes realmente é pior? Qual grassa solto com caneta e receituário azul? Claro existem os cínicos, que ficam mais ou menos no centro deste espectro…
O resultado final é uma massa silenciosa, como gostam de dizer alguns sobre o crack, do cigarro ou do alcóol, que busca os serviços de saúde para resolver desde, problemas conjugais, financeiros, do trabalho desumano e alienante, da vida que só enfatiza a competição & consumo, do materialismo que arrasta à nefastas conclusões sobre a vida…
Pelo menos vejo as coisas assim por hoje. 😉

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