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Entrevista muito interessante na Globo. Links abaixo, em três partes para o YouTube.

> http://www.youtube.com/watch?v=XYkDwP0gw6o – medicina de familia 1

> http://www.youtube.com/watch?v=7EuMNl-f7xM – medicina de familia 2

> http://www.youtube.com/watch?v=4OELN-NcMww – medicina de familia 3

André

O “Dr. Madoff” da indústria farmacêutica ou os efeitos do publish or perish
Data:
22/03/2009 14:24
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/03/21/ult580u3622.jhtm
O “Dr. Madoff” da indústria farmacêutica

Hervé Morin

Era tudo falso. Os pacientes, que supostamente teriam testado medicamentos que deveriam acelerar sua recuperação pós-operatório, nunca existiram. Os 21 artigos científicos onde estavam descritos os benefícios dessas fórmulas milagrosas não passavam de um emaranhado de estatísticas sem fundamento. Mas, acreditando nesses resultados fraudulentos, milhões de pessoas ingeriram fórmulas bem reais, que renderam quantias gigantescas às empresas que as comercializam: Pfizer, Merck ou Wyeth.

Scott Reuben inventou tudo. O anestesista americano, autor respeitado de dezenas de artigos médicos, confessou a fraude. Não por remorso. Mas porque ele foi desmascarado: dois dos resumos de estudos que ele havia produzido em maio de 2008 intrigaram os serviços de saúde do Baystate Medical Center (Massachusetts), onde ele chefiava o setor de analgesia. O dr. Reuben não tinha autorização para conduzir esses testes. A extensão da farsa não demorou a ser descoberta.

A fraude vinha acontecendo desde 1996. É uma das maiores do gênero. O sul-coreano Hwang Woo-suk, que em 2004 fingiu ter conseguido a primeira clonagem humana a partir de resultados falsificados, ou ainda o físico Hendrik Schön, da Bell Labs, autor de pelo menos 16 artigos “forjados” entre 1998 e 2001, são fichinha perto de Scott Reuben, às vezes chamado pela imprensa anglo-saxônica de “Dr. Madoff”, em referência ao vigarista das finanças.

A corrida pelas glórias, e pelos créditos que as acompanham, é o que move esse tipo de comportamento. Os “trabalhos” do dr. Reuben eram em parte financiados pela Pfizer, que havia feito dele um de seus porta-vozes durante conferências científicas nas quais suas intervenções eram remuneradas. Um representante da firma se disse “desapontado ao saber das acusações contra o sr. Reuben”. Este último não hesitava em defender junto às agências reguladoras de medicamentos o uso de fórmulas testadas em pacientes fictícios…

Enquanto se esperam eventuais desdobramentos judiciários, este caso, como a cada vez que uma fraude do tipo é revelada, leva ao questionamento da confiabilidade das publicações científicas, especialmente as médicas. Segundo a famosa máxima “publish or perish” [publique ou morra], na verdade é graças à publicação em revistas científicas que se constrói uma carreira. É por isso que elas possuem uma responsabilidade em especial sobre a qualidade dos trabalhos que lhes são submetidos. As melhores delas fazem com que eles sejam sistematicamente examinados por especialistas antes da publicação.

No caso do dr. Reuben, a falha desse filtro foi gravemente exposta.
Como o sistema editorial não desconfiou, especialmente pela produtividade de Reuben? Confiança abusiva, e abusada? Muitos estudos recentes mostram que inúmeros pesquisadores, em menor escala, se aproveitam de falhas desse sistema de autorregulação – muitas vezes considerado como o menos imperfeito.

O plágio parece ser uma forte tentação, ainda que a prática permaneça marginal. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas, e publicado na revista “Science” em 5 de março, permitiu assim identificar 212 pares de artigos duplicados em 86,2%, mas assinados por autores diferentes. Quando contatados, os plagiadores reagiram de formas diversas: 28% negaram ter agido de forma errada; 35% admitiram ter feito empréstimos, e se desculparam; 22% se declararam ser coautores não envolvidos na redação; 17% disseram ignorar que seus nomes apareciam no artigo incriminado. Metade dos casos de plágio apontados nos jornais científicos não recebeu resposta por parte dos editores.

Um outro estudo, publicado em 13 de fevereiro no “British Medical Journal”, mostra que algumas revistas facilitam, inconscientemente ou não, a publicação de trabalhos financiados pela indústria farmacêutica. Passando no pente fino 274 estudos sobre as vacinas de gripe, Tom Jefferson (Cochrane Vaccine Field, Itália) constatou que as que apareciam nos jornais consideradas como as melhores não eram necessariamente as mais bem concebidas ou mais pertinentes. O que fazia a diferença era a natureza do patrocinador do estudo. Em outras palavras, as grandes companhias farmacêuticas têm mais chance de ver os trabalhos que elas financiam publicados nas revistas de alta categoria. “Os patrocinadores industriais encomendam um grande número de exemplares dos estudos que valorizam seus produtos, garantindo eles mesmos a tradução. Eles também compram espaços publicitários nesses jornais. Já está na hora de revelarem suas fontes de financiamento”, observa Jefferson.

A Fundação Europeia para a Ciência (ESF) manifesta uma preocupação muito parecida em recomendações publicadas em 12 de março: ela acredita que os testes clínicos guiados pela curiosidade dos pesquisadores acadêmicos, mais do que pelos interesses industriais, podem ser um benefício maior para os pacientes.

Suspeita de instrumentalização, a publicação médica às vezes também é criticada por aquilo que ela não publica. Um estudo divulgado na Internet, pela revista “PLoS Medicine” em 17 de fevereiro, mostra que os estudos clínicos franceses de fase I – destinados a avaliar a toxicidade de um possível medicamento – possuem uma probabilidade muito pequena de serem publicados em revistas científicas: 17%, contra 43% dos estudos de fase II a IV, mais próximos da comercialização. Ora, mesmo que eles se revelem negativos, os resultados de fase I não devem ser ignorados: pode-se aprender sobre as fórmulas testadas, evitando que outros sigam pistas falsas.

Será que esses estudos, no contexto do caso Reuben, devem levar a novos códigos de conduta entre os cientistas e editores? Os otimistas dirão que os trapaceiros sempre acabam se traindo. Os outros pedirão por uma maior transparência sobre os laços financeiros entre os diversos agentes. Mas em um contexto mais geral de crise econômica, a maior parte concordará que um aumento na vigilância é indispensável.

Tradução: Lana Lim

Rivotril: por que o medicamento é o segundo mais vendido no país?
Uma droga barata, mas de tarja preta, contra a ansiedade vende mais do que os tradicionais Tylenol e Hipoglós
Cristiane Segatto e Ivan MArtins Colaboraram Danilo Soares e Marcela Buscato

PALIATIVO
Ecleide em seu quarto, em Santo André. Ela sofre de insônia e sentia-se melhor antes de abandonar a psicoterapia.“Parei por relaxo”, diz. Hoje, só dorme com RivotrilAlguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade – tarja preta, vendido apenas com retenção de receita – se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o velho Rivotril, que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o ranking dos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica. Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar.

O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país – vende menos que anticoncepcionais, analgésicos, antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países.

A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina. Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades, castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram “assustador” – e que depõe frontalmente contra a imagem de “nação feliz” que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar.

O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receita de Rivotril. “Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro”, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Mas ele pode mascarar quadros mais graves.” O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. “Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum”, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro. “Mas o atendimento é tão precário que nem se nota a diferença.”

O terceiro fator que contribui para a venda de Rivotril é o que o psicanalista Plínio Montagna chama de “glamorização do ato de medicar-se”. No passado havia preconceito contra os remédios psiquiátricos. Recentemente, houve uma guinada cultural e eles passaram a ser vistos como resposta a todos os problemas da existência. Os médicos (sobretudo os que não são psiquiatras) receitam remédios psiquiátricos com total desenvoltura. Da parte dos pacientes, também existe a expectativa de que isso aconteça.Todos têm pressa.

“Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam”, diz Montagna, que é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Questões existenciais são tratadas como sintomas médico-psiquiátricos, com a colaboração de “uma avassaladora quantidade de dólares” gastos em publicidade pela indústria farmacêutica. “É frequente eu receber para tratamento pacientes com dosagens excessivas de medicação ou coquetéis de diversas substâncias, sem que os aspectos psicológicos tenham sido levados em consideração”, afirma o psicanalista, que também é formado em psiquiatria.

Por trás da precariedade do sistema de saúde e do modismo da medicação, existe a crescente incapacidade das pessoas – e dos médicos – em conviver com um dos sentimentos mais enraizados da psique humana, a ansiedade. Ela está lá desde os primórdios do homem, associada a temores e ameaças indefiníveis. Embora desagradável, é um dos motores da existência. Faz parte da nossa constituição evolutiva. “Ela é um estado de alerta, um estímulo para produzir. O contrário da ansiedade é a apatia”, diz o psicanalista Eduardo Boralli Rocha. Totalmente diferente dessa ansiedade benigna é a combinação explosiva de urgência, competição e sentimento de exclusão que caracteriza o nosso tempo.

“As pessoas sentem que em algum lugar está havendo uma festa para a qual elas não foram convidadas e têm de correr atrás”, diz Boralli. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, dizia que a ansiedade era o sintoma de algo que não estava bem resolvido interiormente. Ele diferenciava entre a ansiedade produzida por uma situação externa real e aquela imaginada ou brutalmente amplificada por nossos medos interiores. A primeira não deveria ser medicada, mas ela tornou-se tão presente, tão avassaladora, que é isso que tem sido feito, em larga escala.

(segue em…) 

Publicado na Revista Época: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI27270-15257,00-RIVOTRIL+POR+QUE+O+MEDICAMENTO+E+O+SEGUNDO+MAIS+VENDIDO+NO+PAIS.html

MFC
clipped from medicina-general-familiar.blogspot.com

jueves 19 de febrero de 2009

Relación entre la obesidad, la obesidad abdominal y la mortalidad

Pischon T, Boeing H, Hoffmann K, Bergmann M, Schulze MB, Overvad K et al. General and Abdominal Adiposity and Risk of Death in Europe. N Engl J Med 2008; 359: 2105-2120. R TC PDF

Introducción

La mayor parte de los estudios sobre la relación entre la obesidad y la mortalidad han utilizado el IMC. Sin embargo, se ha demostrado que la obesidad abdominal es un mejor indicador del riesgo de numerosas enfermedades crónicas, pero existen pocos estudios que hayan analizado su relación con la mortalidad.

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14-01-2009
Programa Saúde da Família
No dia 10 de janeiro, o DC publicou um artigo

No dia 10 de janeiro, o DC publicou um artigo do presidente da Sociedade Brasileira de Clinica Médica, Antonio Carlos Lopes (conhecido no meio médico como ACL). Alguns equívocos precisam ser esclarecidos.

O Programa Saúde da Família (PSF) deixou de ser um programa, embora tenha mantido este consagrado rótulo, em 1998, quando Adib Jatene elevou-o à condição de estratégia de Estado. Tem sido elogiado mundialmente e é, segundo a Organização Mundial da Saúde, um exemplo a ser seguido. Diversos estudos demonstram que o PSF tem contribuído para a diminuição da mortalidade infantil e para o controle de epidemias como a dengue.

Ao contrário do que afirma ACL, não são 40 mil mas sim 29.300 equipes cobrindo 49,51% da população. Além disso, o PSF não está na mão dos “não médicos”, como diz aquele texto, mas sim de equipes compostas por médico de família e comunidade, enfermeiro, técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde. Este modelo é utilizado com sucesso em países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Canadá.

Santa Catarina é o Estado do Sul com melhor cobertura (67,44%). Florianópolis foi selecionada recentemente pela Fiocruz como uma das quatro melhores capitais e é a única que tem exigido o título de medicina de família e comunidade aos médicos que se candidatam a trabalhar no PSF.

Quem está no dia-a-dia dos postos de saúde sabe das qualidades e desafios da estratégia. A deficiência não é o atendimento precário, mas sim a grande demanda da população por serviços de qualidade, como o oferecido pela maioria das equipes do PSF. Ao invés de críticas pouco fundamentadas, algumas lideranças médicas deveriam conhecer antes a realidade das unidades de saúde e da própria população.

Por Gustavo Gusso e Enaiani Silveira, Médico de Família do PSF e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família; médica de Família do PSF/ Lages e presidente da Associação Catarinense de Medicina de Família

Link

Créditos:

Jornal Diário Catarinense, 14/01/2009

04-02-2009
Cidades sem médicos
Por José Luiz Gomes do Amaral

Há muito se fala em interiorização de médicos no Brasil. É certo que o país tem um número excessivo de médicos em relação à capacidade do sistema de saúde pública absorvê-lo, o que faz com que esses profissionais se concentrem nas áreas de maior desenvolvimento, deixando vastas regiões sem assistência.

São várias as razões que determinam essa distribuição iníqua. A primeira é a falta de resolutividade nas estruturas de saúde encontradas nas regiões desassistidas. Isto faz com que o médico ali instalado não tenha condições de ver tornadas efetivas suas ações. Faltam-lhe recursos para diagnosticar e tratar os pacientes.

Em segundo lugar, para que um médico se fixe é preciso que haja ambiente de trabalho adequado. Pressões, sejam elas associadas ao excesso de demanda, à insuficiência de recursos ou mesmo ao uso político do médico por autoridades e gestores locais, tornam insustentável sua permanência em certos municípios.

O terceiro ponto é a impossibilidade de desenvolvimento profissional, que faz do médico um exilado em seu próprio país. No Sistema Único de Saúde não existe carreira que permita ao médico desenvolver-se e qualificar-se para postos que sejam, ao longo de sua vida pessoal, compatíveis com a profissão. A mobilidade é essencial na carreira, quando se pensa em prover com médicos áreas remotas. Isso só seria possível dentro de um plano de carreira federal. As carreiras municipais isolam os que dela fazem parte, impedindo deslocamentos para outros municípios.

O salário é um aspecto importante, mas não está entre os primordiais para a fixação dos médicos. O que nos surpreende é que todas essas causas de fixação ou migração são bastante conhecidas. Os que gerenciam a saúde, porém, insistem em ignorá-las. Perdem-se em alternativas periféricas que, longe de corrigir os desvios, apenas acrescentam-lhes distorções, degradando a profissão médica e ampliando o fosso que nos aparta do mundo desenvolvido.

Por José Luiz Gomes do Amaral – Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)

Link

Créditos:

Jornal Diário Catarinense, 04/02/2009

A influência das características de determinado lugar na saúde das pessoas que ali habitam foi o tema da tese de doutorado da médica epidemiologista Simone Maria dos Santos no Programa de Saúde Pública da ENSP. O trabalho se caracterizou por avaliar como o espaço urbano se relaciona com os problemas de saúde, especificamente com a auto-avaliação de saúde. A pesquisa, que visa à orientação de políticas públicas, corroborou a hipótese de que as características socioeconômicas do local de residência influenciam a saúde da população.

Leia a noticia na integra em:
http://www.cebes.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=134&mNoti_Acao=mostraNoticia&noticiaId=529

23/01/2009
Extraído de http://www.escolasmedicas.com.br/art_det.php?cod=131

Médico critica sistema de saúde público dos Estados Unidos
Robert L. Martensen trabalha hoje nos Institutos Nacionais de Saúde.

Profissional da saúde escreveu livro para colocar o dedo na ferida.

G1 Ciências

Durante sua longa carreira médica, Robert L. Martensen, 62 anos, tem sido um médico de emergência e tratamento intensivo, tratando estimativamente de 75 mil pacientes. Ele ensinou bioética e história médica na Escola de Medicina de Harvard e na Universidade Tulane, em Nova Orleans. Depois que o furacão Katrina varreu sua casa e seu professorado em Tulane, Martensen se mudou para Bethesda, Maryland, para dirigir o Escritório de História dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Recentemente, Farrar, Straus & Giroux publicaram a crítica de Martensen sobre o sistema americano de saúde pública, “Uma Vida Que Vale Ser Vivida: As Reflexões de um Médico Sobre a Doença numa Era de Alta Tecnologia” (A Life Worth Living: A Doctor’s Reflections on Illness in a High-Tech Era). Nós conversamos em Nova York, durante a turnê de lançamento de seu livro, e posteriormente ao telefone. Segue uma versão editada das conversas.

Pergunta: A pedra fundamental da plataforma de saúde pública do novo presidente Barack Obama envolve organizar um sistema nacional de registros médicos computadorizados. Isso solucionará nosso problema com a saúde pública?

Robert L. Martensen: Registros eletrônicos compartilhados são valiosos. Eles reduzirão os erros e poderão economizar dinheiro, por reduzirem a duplicação de exames. Mas a crise do sistema de saúde é de uma magnitude bem maior.

Além de todas as questões sobre seguro de saúde e quem o paga, temos um sistema mais caro do que qualquer outro no mundo e onde quase todos estão insatisfeitos. Os pacientes dizem: “Ninguém me ouve”. Os administradores de hospitais estão insatisfeitos porque os resultados palpáveis se tornaram mais importantes e sua missão se perdeu. Os diretores das grandes organizações profissionais sentem que não há mais um centro; são apenas grupos de interesses atomizados, se acotovelando e misturando. Os médicos estão descontentes por sua incapacidade de praticar a medicina da forma que gostariam. Muitos estão desistindo.

Isso não é nada que a tecnologia possa consertar. O problema é dinheiro, pessoas e sistemas. Não digo que os registros eletrônicos não valham a pena. Mas apresentá-los como a solução é inadequado.

Pergunta: Em seu livro, você critica especialmente a modo americano de morrer. Por que você sente que esse aspecto do sistema de saúde está no caminho errado?

Martensen: A maioria dos americanos morre em hospitais ou casas de repouso, e nenhum deles está preparado para cuidar de pacientes terminais. Existem poucos tratamentos paliativos disponíveis, e muitas vezes a estrutura de pagamento do seguro-saúde não oferece esse suporte.

Então temos situações onde uma mulher de 90 anos com falência de órgãos é trazida a uma emergência e os médicos dizem: “Vamos arrumá-la”. Ou se a paciente começa a sofrer falência na casa de repouso, eles dizem: “Ninguém morre aqui. Vamos levá-la para a emergência”. Não é incomum, nos últimos seis meses de vida de um paciente, que ele seja transportado entre a casa de repouso e o hospital seis, oito, dez vezes, e submetido a dezenas de dolorosas e caras intervenções. O paciente é mantido artificialmente daquela maneira até que seu corpo desiste.

Eu realizei consultorias de ética para hospitais onde os pacientes ficavam na UTI por seis meses. Uma senhora idosa havia passado de um sério problema neurológico para o último estágio de doença renal, sem esperança de jamais mover um dedo novamente – e ninguém disse à família: “Sua mãe está morrendo”. Quando finalmente foi dito, os parentes ficaram furiosos.

Pergunta: O que os médicos deveriam dizer, em vez disso?

Martensen: Eu acho que os médicos deveriam ficar confortáveis em ser realistas. Se for o caso, o médico deveria levantar a ideia de que esse processo da doença pode ser fatal. Hoje nós dizemos: “Não posso acabar com as esperanças de uma pessoa”, como se os médicos estivessem entregando a vida. É preciso apoiar as esperanças que são realistas, e não essa terra da fantasia.

Eu vi como muitas dessas intervenções são desumanas. Ao ressuscitar uma pessoa idosa, você pode quebrar suas costelas durante a massagem cardiorrespiratória. Se você as coloca num respirador, pode acabar sedando-as tão profundamente que elas ficam praticamente inconscientes.

Pergunta: Pode existir algo parecido com uma boa morte?

Martensen: Meu pai teve uma. Ele era engenheiro de sistemas. Aos 80 anos, desenvolveu sérios problemas pulmonares, e foi muito sabido sobre como as coisas podem dar errado em sistemas complicados, como são os hospitais. Para garantir que nada fosse feito a ele para prolongar sua vida apenas tecnicamente, ele se assegurou de que sua esposa, o médico e o hospital tivessem cópias de suas diretivas médicas. Ele não enfrentou um longo período de agonia, pois não quis ser colocado num respirador. Meu pai morreu confortavelmente, cercado de pessoas que o amavam. Ele estava lúcido até cerca de cinco minutos antes de sua morte.

Acho que gostaria de ter isso para mim, também. Não é fácil conseguir. Vi situações onde as pessoas deixam diretivas específicas e os hospitais ainda assim as ressuscitam.

Pergunta: Por muitos anos você trabalhou como médico de emergência. Por que essa especialização?

Martensen: Uma sala de emergência é onde a borracha encontra o asfalto na medicina. Em termos dos tipos de casos que você vê, cada turno é diferente. Gosto disso. Gosto de fazer a clínica geral, com o aspecto apimentado. Gosto de dar diagnósticos.

Certa vez, tive um paciente, ele tinha 19 anos e era de Bangladesh. Ele tinha febre alta e caroços sob suas axilas. Eu tinha acabado de ler o livro “Diário do Ano da Peste”, de Daniel Defoe, onde o autor descreve pacientes com adenite, ou lesões do tamanho de nozes causadas pela peste. E foi isso que passou pela minha mente quando olhei para o pálido garoto. Ele tinha a peste bubônica, no fim das contas.

Pergunta: A lição desse caso seria que os médicos, como parte de seu treinamento, deveriam ler mais história e literatura?

Martensen: Isso teria benefícios imediatos. Se eu não tivesse lido Defoe naquela ocasião, poderia ter errado no diagnóstico de meu paciente, lhe dado antibióticos e o enviado para casa, que era um abrigo de sem-tetos. A infecção poderia ter se espalhado rapidamente.

Na verdade, muitos médicos de emergência têm interesses fora da medicina. É uma especialização que, enquanto a pratica, você está totalmente presente. Quando termina seu turno, você deixa tudo para trás. Um número surpreendente de médicos de emergência é formado por artistas, até mesmo escritores.

Pergunta: Você ainda pratica a medicina?

Martensen: Não. Seis anos atrás, eu estava trabalhando num hospital no centro-oeste. O outro hospital da região havia fechado, e éramos o último hospital disponível, atendendo o dobro de pacientes. Eu era responsável por 60 em oito horas – pessoas com ferimentos a bala, ataques cardíacos, crianças com meningite. As condições tornaram impossível a prática da boa medicina. Me sentia patinando no gelo. Queria apenas sair. Minha história não é a única. Mas eu sinto falta dos meus pacientes. Sinto falta da emergência.

SBMFC: por que todos merecem um médico de família e comunidade?

Publicado na AMB:http://www.amb.org.br/mc_noticias1_abre.php?w_id=4201
Nos dias de hoje, quando o cuidado com a saúde é uma das maiores preocupações, a medicina ainda não encontrou a melhor forma de atender os pacientes. Muito se discute sobre a forma mais eficaz e segura de tratamento e, para isso, os governos criam programas de saúde em todas as esferas públicas. Na prática, porém, pouco se discute sobre o que realmente é importante para melhorar os tratamentos e atendimentos do País.

Os médicos se especializam em problemas do coração, do sangue, psiquiátricos e de uma determinada faixa etária, mas há um grupo que além de conhecedores gerais do corpo humano, se preocupam com a pessoa e não apenas com a doença.

Especializados na Medicina de Família e Comunidade (MFC), o atendimento desses médicos não fica restrito ao gênero, órgãos ou idade: os médicos de família e comunidade são especializados no tratamento do paciente como um todo, e não restrito a uma parte, apenas. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Gustavo Gusso, “o médico de família e comunidade não quer saber apenas que doença a pessoa tem, mas qual pessoa tem determinada doença”.

Esses médicos são especializados no atendimento às pessoas porque sabem como uma doença afeta a vida de familiares. Durante sua formação, aprendem que há diferentes formas de uma mesma doença afetar pessoas que vivem, por exemplo, em ambientes sociais distintos. Lembrados por muitos como os “médicos de cabeceira”, esses profissionais criam vínculo com cada paciente e se tornam referência quando o assunto é a escolha do melhor tratamento.

Considerada uma especialidade estratégica nos sistemas de saúde pela maneira com a qual tratam os pacientes, os Médicos de Família e Comunidade atendem nas Unidades de Saúde da Família, planos de saúde e consultórios médicos de forma integral. As competências terapêuticas e preventivas são componentes destacadas da especialidade não apenas no Brasil, mas em países como Portugal, Canadá, Inglaterra, Cuba e Holanda, onde o contato com o médico de família virou prioridade. “Os princípios da especialidade são compatíveis com os princípios da atenção primária à saúde: primeiro contato com o sistema, atendimento ao longo da vida e cuidado coordenado e integral”, explica Gusso.

Apesar de existir no País desde 1976, ter sido uma das primeiras especialidades oficializadas pela Comissão Nacional de Residência Médica e fazer parte da Organização Mundial dos Médicos de Família, a especialidade ainda não é tão conhecida no Brasil, onde a cultura das especialidades está enraizada no sistema de saúde.

Fonte: Assessoria de imprensa da SBMFC

11/02/2009

Direitos Humanos

Declaração Universal dos Direitos Humanos -Versão Popular-

Frei Betto


Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos.

Todos temos direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal e social.

Todos temos direito de resguardar a casa, a família e a honra.

Todos temos direito ao trabalho digno e bem remunerado.

Todos temos direito a descanso, lazer e férias.

Todos temos direito à saúde e à assistência médica e hospitalar.

Todos temos direito à instrução, à arte e à cultura.

Todos temos direito ao amparo social na infância e na velhice.

Todos temos direito à organização popular, sindical e política.

Todos temos direito de eleger e ser eleitos para as funções de governo.

Todos temos direito à informação verdadeira e correta.

Todos temos direito de ir e vir, mudar de cidade, de estado ou país.

Todos temos direito de não sofrer nenhum tipo de discriminação.

Todos somos iguais perante a lei.

Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou privado do direito de defesa.

Toda pessoa é inocente até que a justiça, baseada na lei, prove o contrário.

Todos temos a liberdade de pensar, de nos manifestar, de nos reunir e de crer.

Todos temos o direito ao amor e aos frutos do amor.

Todos temos o dever de respeitar e proteger os direitos da comunidade.

Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação desses direitos.

* Frei Betto é escritor, autor de “Uala, o Amor” (FTD), entre outros livros

http://alainet.org/active/2855〈=es

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