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Extraído de: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=4555

21/01/2010

Existe uma conexão? Resultados do estudo WISE

Introdução

Há muito se fala que depressão aumenta o risco de doença cardiovascular. Embora com evidências menos sólidas, ansiedade também é apontada como fator de risco cardiovascular.

A interrelação entre distúrbios emocionais e doenças cardiovasculares é complexa e bidirecional: por um lado, depressão é um fator de risco independente para doença cardiovascular; por outro lado, as cardiopatias podem causar ou deflagrar a instalação de sintomas depressivos.

Discute-se também o quanto este risco cardiovascular aumentado é atribuído ao distúrbio emocional per se e o quanto é devido a outros fatores associados ou secundários à condição psíquica, como, por exemplo, aumento de frequência cardíaca e pressão arterial, estilo de vida não-saudável, má aderência ao tratamento e mesmo o uso de medicamentos psicotrópicos.

Neste sentido, uma subanálise do estudo Women’s Ischemia Syndrome Evaluation (WISE),1 recentemente publicada na revista Heart, traz uma oportunidade para uma breve revisão e reflexão a respeito da influência de medicamentos usados em depressão e ansiedade sobre as doenças cardiovasculares.

O estudo

O estudo WISE incluiu mulheres com sintomas de isquemia miocárdica que se submeteram a cateterismo cardíaco. Não foram incluídas, entre outras, mulheres com cardiomiopatia, doença valvar ou congênita significativa, insuficiência cardíaca classe funcional IV (NYHA) ou infarto do miocárdio recente. A idade média das participantes foi em torno de 57 anos.

Este subestudo comparou a evolução clínica de 4 grupos definidos de acordo com o relato de uso de “antidepressivos” e “ansiolíticos, sedativos ou hipnóticos” nas 6 semanas que antecederam o estudo. Assim, os 4 grupos foram:

* sem medicação (n=352);
* apenas ansiolíticos (n=67);
* apenas antidepressivos (n=58);
* uso combinado de antidepressivos + ansiolíticos (n=39).

Durante um tempo mediano de observação prospectiva de 5,9 anos, ocorreram 81 (15,6%) novos eventos cardiovasculares e 46 (8,8%) mortes por qualquer causa.

Em uma análise não ajustada, o uso de antidepressivo associou-se a eventos cardiovasculares subsequentes (HR 2,16, IC 95% 1,21 a 3,93) e morte (HR 2,15, IC 95% 1,16 a 3,98). Já o uso de ansiolítico isoladamente não se relacionou com pior evolução.

Em uma análise multivariada (regressão de Cox) que incluiu fatores de risco, dados de história clínica e escores de depressão e ansiedade no momento basal, o uso combinado de antidepressivos + ansiolíticos revelou-se um preditor significativo de eventos cardiovasculares (HR 3,98, p = 0, 001) e mortalidade por todas as causas (HR 4,70, p = 0, 003), comparado com quem não usou tais medicamentos.

Quando “história de tratamento de depressão” foi incluída nos modelos estatísticos como uma covariável, a relação entre uso de medicação combinada e eventos cardiovasculares atenuou-se, porém permaneceu estatisticamente significativa (HR 2,7, IC 95% 1,10 a 6,90, p= 0, 04). A relação com mortalidade por todas as causas, no entanto, deixou de ser significativa (HR 2,86, IC 95% 0,82 a 9,96, p=0, 10).

Os autores concluem que fatores relacionados com medicação psicotrópica, como depressão refratária ou a medicação em si, associam-se a eventos adversos em mulheres com suspeita de isquemia miocárdica.

Comentários

Este estudo traz à tona uma discussão de cunho prático inegável: será que medicamentos psicotrópicos elevam o risco cardiovascular?

A pergunta é relevante: é indiscutível que antidepressivos e ansiolíticos são medicamentos de uso frequente, principalmente entre as mulheres. Além disso, são frequentemente prescritos para pacientes com dores no peito, porém sem evidências de coronariopatia obstrutiva. Neste estudo, por exemplo, em torno de 30% das mulheres estavam fazendo uso de antidepressivo e/ou ansiolítico.

Não é tarefa fácil distinguir o quanto a elevação do risco cardiovascular é atribuída ao processo patológico de base e o quanto pode ser efeito de medicamentos psicotrópicos. Os dois fatores se superpõem, exigindo ajustes estatísticos que são sempre passíveis de críticas.

Neste sentido, este estudo tem a virtude de procurar controlar rigorosamente os níveis de ansiedade e depressão de base, bem como história de tratamento para depressão, a fim de obter uma resposta mais “limpa” acerca do efeito de medicamentos psicotrópicos sobre eventos cardiovasculares.

Desta forma, para avaliar sintomas depressivos foi utilizado o Beck Depression Inventory (BDI), um questionário bem validade composto por 21 itens. Já o nível de ansiedade foi avaliado pelo State Trait Personality Inventory, também já adequadamente validado.

Mesmo controlando a análise estatística para estes escores de níveis de ansiedade e depressão, e para história de tratamento de depressão, o uso combinado de antidepressivo + ansiolítico mostrou-se preditor independente de eventos cardiovasculares.

Outros estudos também mostraram resultados consistentes com esta análise do WISE, ou seja, uma associação entre uso de antidepressivos e aumento de eventos cardiovasculares e/ou mortalidade, mesmo após ajustes para fatores confundidores.

Em uma análise do Nurses’ Health Study, por exemplo, o uso de antidepressivo associou-se a um risco maior que 3 vezes de morte súbita cardíaca em um grupo grande de mulheres (n >63.000) que inicialmente não apresentavam sinais de doença arterial coronária.2

Em outro estudo, o uso de antidepressivos associou-se a um risco aumentado de morte ou hospitalização por motivo cardiovascular, mesmo após controle para sintomas depressivos e fatores de risco, em pacientes com insuficiência cardíaca seguidos por um tempo mediano de 3 anos.3

O tipo de antidepressivo importa? Tricíclicos versus inibidores seletivos da recaptação de serotonina

Uma das grandes limitações deste estudo foi não ter diferenciado o uso de antidepressivos tricíclicos dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Isto porque os tricíclicos têm sido associados, há muito tempo, a prolongamento do intervalo QT, arritmias malignas e morte súbita cardíaca.

Já o uso dos ISRS parece ser mais seguro e até possivelmente benéfico. Em uma análise secundária post hoc do estudo ENRICHD, envolvendo 1.834 pacientes deprimidos após infarto agudo do miocárdio, o risco de morte ou infarto recorrente foi, significativamente menor em quem fez uso de ISRS comparado a quem não usou tal medicação.4

Em estudos randomizados de curto prazo (12 ou 24 semanas), citalopram e sertralina mostraram-se seguros em pacientes com doença arterial coronária, incluindo infarto do miocárdio ou angina instável recente.5,6

Um aspecto bastante interessante é que existem evidências de que a depressão se associa a aumento da reatividade plaquetária, embora isto seja assunto controverso.7,8 Existem também evidências de que os ISRS podem diminuir a hiperatividade plaquetária em pacientes deprimidos.7,9

Limitações

A principal limitação desta análise é tratar-se de um estudo que observou uma coorte prospectivamente e não um estudo que randomizou pacientes para diferentes tratamentos. Assim, os diferentes grupos apresentavam diferenças em suas características basais que podem ter influenciado os resultados finais, apesar dos devidos ajustes estatísticos.

Por exemplo, o grupo que fez uso de antidepressivo + ansiolítico apresentava maior proporção de pacientes com infarto do miocárdio prévio (29% contra 16% no grupo sem medicação), o que pode ter contribuído para um risco cardiovascular maior. No entanto, um escore de severidade da doença arterial coronária não foi diferente entre os grupos no momento basal.

Outra limitação foi a constituição dos grupos de acordo com informação auto-referida pelos pacientes, sendo considerado apenas o relato de uso de medicação psicotrópica nas 6 semanas que antecederam o estudo, e não o uso de tais medicamentos do decorrer do mesmo.

Conclusões

Este estudo permite traçar algumas reflexões sobre a relação entre doença cardiovascular e depressão/ansiedade, condições extremamente comuns na prática clínica. Em primeiro lugar, nunca é demais enfatizar a importância de estar atento para o diagnóstico de distúrbios psíquicos, principalmente depressão, seja em pacientes com doença cardíaca estabelecida, seja naqueles em prevenção primária, já que estas alterações se associam a pior prognóstico cardiovascular.

Segundo, o médico há de ser judicioso ao prescrever medicamentos psicotrópicos. Sempre deve ser aventada a possibilidade de terapias adjuntas, envolvendo uma equipe multidisciplinar, bem como referir o paciente para colegas especialistas.

Conclusões mais definitivas devem vir com estudos randomizados nos quais medicamentos específicos estão sendo testados contra controles em populações com características bem definidas, tendo como desfechos eventos cardiovasculares ou óbito. Por exemplo, estudos randomizados estão investigando sertralina e escitalopram em pacientes com insuficiência cardíaca. 10,11.

Por enquanto, esta subanálise do estudo WISE reforça a recomendação de cautela ao prescrever medicamentos psicotrópicos, principalmente antidepressivos tricíclicos.

Referências

1. Krantz DS, Whittaker KS, Francis JL, Rutledge T, Johnson BD, Barrow G, et al. Psychotropic medication use and risk of adverse cardiovascular events in women with suspected coronary artery disease: outcomes from the Women’s Ischemia Syndrome Evaluation (WISE) study. Heart 2009;95(23):1901-6.
2. Whang W, Kubzansky LD, Kawachi I, Rexrode KM, Kroenke CH, Glynn RJ, et al. Depression and risk of sudden cardiac death and coronary heart disease in women: results from the Nurses’ Health Study. J Am Coll Cardiol 2009;53(11):950-8.
3. Sherwood A, Blumenthal JA, Trivedi R, Johnson KS, O’Connor CM, Adams KF Jr, et al. Relationship of depression to death or hospitalization in patients with heart failure. Arch Intern Med 2007;167(4):367-73.
4. Taylor CB, Youngblood ME, Catellier D, Veith RC, Carney RM, Burg MM, et al; ENRICHD Investigators. Effects of antidepressant medication on morbidity and mortality in depressed patients after myocardial infarction. Arch Gen Psychiatry 2005;62(7):792-8.
5. Lespérance F, Frasure-Smith N, Koszycki D, Laliberté MA, van Zyl LT, Baker B, et al; CREATE Investigators. Effects of citalopram and interpersonal psychotherapy on depression in patients with coronary artery disease: the Canadian Cardiac Randomized Evaluation of Antidepressant and Psychotherapy Efficacy (CREATE) trial. JAMA 2007;297(4):367-79. Erratum in: JAMA. 2007 Jul 4;298(1):40.
6. Glassman AH, O’Connor CM, Califf RM, Swedberg K, Schwartz P, Bigger JT Jr, et al; Sertraline Antidepressant Heart Attack Randomized Trial (SADHEART) Group. Sertraline treatment of major depression in patients with acute MI or unstable angina. JAMA 2002;288(6):701-9. Erratum in: JAMA 2002 Oct 9;288(14):1720.
7. von Känel R. Platelet hyperactivity in clinical depression and the beneficial effect of antidepressant drug treatment: how strong is the evidence? Acta Psychiatr Scand 2004;110(3):163-77.
8. Parakh K, Sakhuja A, Bhat U, Ziegelstein RC. Platelet function in patients with depression. South Med J 2008;101(6):612-7.
9. Schlienger RG, Meier CR. Effect of selective serotonin reuptake inhibitors on platelet activation: can they prevent acute myocardial infarction? Am J Cardiovasc Drugs 2003;3(3):149-62.
10. Jiang W, O’Connor C, Silva SG, Kuchibhatla M, Cuffe MS, Callwood DD, et al; SADHART-CHF Investigators. Safety and efficacy of sertraline for depression in patients with CHF (SADHART-CHF): a randomized, double-blind, placebo-controlled trial of sertraline for major depression with congestive heart failure. Am Heart J 2008;156(3):437-44.
11. Angermann CE, Gelbrich G, Störk S, Fallgatter A, Deckert J, Faller H, et al; MOOD-HF Investigators. Rationale and design of a randomised, controlled, multicenter trial investigating the effects of selective serotonin re-uptake inhibition on morbidity, mortality and mood in depressed heart failure patients (MOOD-HF). Eur J Heart Fail 2007;9(12):1212-22.

Autor: Dr. Fernando Cesena
Fonte: MedCenter MedScape

Un reportaje sobre el dolor muestra la eficacia de ciertas campañas de la industria farmacéutica para promover sus productos. La ocultación de las fuentes induce a engaño

MILAGROS PÉREZ OLIVA 17/01/2010

Con frecuencia llegan a las redacciones estudios y datos aparentemente rigurosos y fiables que, sin embargo, pueden inducir a engaño a los lectores o esconder intereses publicitarios o comerciales. Descubrirlos y evitarlos es un deber del periodismo riguroso. Quienes, siendo médicos o pacientes, han de lidiar con el dolor crónico, debieron sentir un gran alivio al leer que “en el último Congreso Europeo del Dolor, celebrado en Lisboa, se presentó tapentadol (…), el primer analgésico que aparece en 25 años de una nueva generación que marcará un antes y un después”, y que “los expertos aseguraron en Lisboa que se inicia una nueva era en el manejo difícil del dolor agudo y crónico”. Lo afirmaba Mayka Sánchez, colaboradora de EL PAÍS para temas de salud, en el reportaje “El dolor como quinto signo vital”, publicado el 22 de diciembre en Sociedad. En el mismo se describía una situación lamentable: “A pesar de que nueve millones de españoles sufren dolor crónico, sólo el 10% de los facultativos de atención primaria emplean escalas de medición para su mejor abordaje terapéutico, un problema que provoca que hasta en la mitad de los casos, ese dolor pueda llegar a ser un síntoma mal tratado”. La conclusión era clara: la mayoría de los médicos no actúan correctamente y la mayoría de los pacientes están mal tratados. Para paliar esa situación había surgido la Plataforma sin Dolor, una iniciativa cuyo objetivo era “sensibilizar” a los médicos y a la sociedad de que “con los avances de la medicina, el dolor puede y debe controlarse”.

Varios médicos llamaron a la Defensora para quejarse de que se diera tan mala imagen de su trabajo sin citar el origen de la estadística. Pero uno de ellos, Enrique Gavilán, de Plasencia, observó algo más: “He estado buscando en la principal base de datos de estudios científicos, la librería PubMed de Estados Unidos, he analizado los estudios que se han publicado sobre este nuevo medicamento y, créame, los resultados muestran que no es muy superior al placebo y en todo caso es muy similar en cuanto a eficacia respecto de otros de los que hay mucha más experiencia clínica y cuyo precio, sospecho, será muy inferior”. En su escrito a la Defensora pide que investigue si se trata de un caso de publicidad encubierta y conflicto de intereses.

Mayka Sánchez aclara que los datos están extraídos de la Guía de Buena Práctica Clínica en Dolor y que su valoración del tapentadol se basa en las declaraciones que hizo Anthony Dickenson, uno de los especialistas que ha participado en los ensayos clínicos, en el congreso de la Asociación Europa para el Estudio del Dolor, celebrado en Lisboa, al que ella asistió. El fármaco, dice, está avalado por “177 artículos, publicados en revistas y congresos internacionales”, todos ellos dotados de “un comité editorial y científico que vela por la veracidad, objetividad y calidad de los trabajos presentados”.Para Mayka Sánchez, la sospecha de publicidad encubierta a la que se refiere el doctor Gavilán “es una opinión muy subjetiva y sin base en el texto publicado”, ya que, dice, se limita a hablar de una de las moléculas presentadas en Lisboa, sin mencionar su nombre comercial. A la Defensora, esta explicación no le parece suficiente. Todos los estudios sobre nuevos fármacos, incluidos los que cita Mayka Sánchez sobre el tapentadol, están financiados por los laboratorios productores y a veces también los congresos en los que se presentan. Sobre los sesgos en la investigación clínica y la publicación de sus resultados existe una amplia literatura científica. La labor de un periodista es verificar la información y evitar los sesgos de parte que pueda contener.

¿Estaba justificado presentar este fármaco como un medicamento que marca “un antes y un después” o “una nueva era” en el tratamiento del dolor? Para aclararlo he consultado a los catedráticos Xavier Carner, presidente del Comité de Evaluación de Medicamentos de la Agencia Española del Medicamento, y a Rafael Maldonado, investigador de la Universidad Pompeu Fabra que trabaja para los Institutos Nacionales de Salud de EE UU. Ninguno de los dos considera que el fármaco sea una gran novedad. Ni siquiera el laboratorio que lo produce va tan lejos como Mayka Sánchez. En la nota de prensa con que lo presentó en junio afirma que “muestra una eficacia comparable a los opioides clásicos” aunque ofrece “un perfil de tolerabilidad más favorable”. Y tampoco es una novedad: tiene el mismo mecanismo de acción que el tramadol, del mismo laboratorio.

Pero no hay sólo un problema de exageración. La forma en que se presenta la información justifica las sospechas del doctor Gavilán, pues se disimula que todo el contenido procede de una única fuente, y se omite revelar que esa fuente es, en última instancia, el laboratorio productor del fármaco. Cita a la Fundación Grünenthal como impulsora de la Plataforma sin Dolor, pero no aclara que ésta pertenece al laboratorio Grünenthal Pharma, especializado en terapias analgésicas, que es quien financia la plataforma y la campaña de medición del dolor. El reportaje tampoco aclara que el fármaco que presenta como revolucionario pertenece a ese laboratorio. Sólo los lectores que ya conozcan a ese laboratorio pueden adivinar la relación.

La información sigue peligrosamente el esquema de las nuevas estrategias que la industria farmacéutica emplea para promover la prescripción de sus fármacos, una vez erradicados los escandalosos incentivos con que premiaban a los médicos. De hecho, los médicos no son ya el único objetivo de los departamentos de mercadotecnia de los laboratorios. Ahora tratan de influir sobre la prescripción a través de los propios pacientes. Esa estrategia consiste en hacer emerger (a veces incluso crear) un problema de salud, movilizando a especialistas de prestigio y si es posible, pacientes, con el objetivo de “sensibilizar” sobre el problema para el cual tienen la solución.

Dada la suspicacia con que es recibida la información procedente de la industria, ésta se ha visto obligada a buscar formas indirectas y de mayor autoridad para vehicular su actividad. Para ello han creado fundaciones y plataformas teóricamente independientes y sin ánimo de lucro, integradas por académicos y especialistas, pero financiadas por la propia industria.

Todo ello está presente en este caso. El reportaje comienza describiendo el grave problema del dolor, basado en estudios financiados por la industria; presenta a continuación a la plataforma que va a luchar contra esta lacra, sin decir que está promovida y financiada por el laboratorio, y acaba informando de un fármaco que presenta como revolucionario, sin decir que es del mismo laboratorio. Para mayor abundamiento, el titular del reportaje coincide con el eslogan central de la campaña financiada por Grünenthal. Y ni siquiera es una información novedosa, pues la propia Mayka Sánchez había publicado tres meses antes el mismo tema en El País Semanal. Lo único nuevo era la referencia al fármaco. El reportaje cita el congreso de Lisboa pero no menciona que Mayka Sánchez viajo a la capital lusa invitada por el laboratorio. El Libro de Estilo de EL PAÍS establece al respecto: “El periódico, como norma general, no acepta invitaciones para elaborar informaciones. Las excepciones habrán de autorizarse expresamente por la Dirección. En las informaciones hechas tras aceptar una invitación, se hará constar que el viaje ha sido patrocinado”.

Sobre todo ello, la subdirectora responsable de Sociedad, Berna González Harbour, afirma: “El periódico es cada día el objetivo de una ingente marea de informes y estudios, muchos de ellos de parte, cargados de conclusiones a primera vista interesantes pero que pierden su legitimidad en cuanto se comprueba el interés de su propio promotor. Nuestra tarea es analizar, distinguir y someter todo ello al máximo escrutinio, y filtrar y publicar sólo aquello que está verdaderamente contrastado y que es de interés objetivo para nuestros lectores. Los controles no han funcionado en este caso y pedimos disculpas. Ese artículo es un ejemplo de lo que no debemos hacer”.

Extraído de http://www.elpais.com/articulo/opinion/Avances/medicos/intereses/ocultos/elpepiopi/20100117elpepiopi_5/Tes

07/01/2010

O estudo foi recém-publicado pela revista Stroke

Expectativas positivas ou negativas em relação ao futuro, que também podem ser chamadas de otimismo e pessimismo, podem ter forte relação com nossa saúde, e um estudo recém-publicado pela revista Stroke, periódico oficial da Associação Americana do Coração, revela que pessoas com baixos graus de pessimismo têm menor risco de desenvolver derrame cerebral.

Quase 25 mil finlandeses sem história de doença cardiovascular, e com idades entre 20 e 54 anos, foram avaliados por uma escala de avaliação de otimismo / pessimismo já bem validada. Os voluntários com os menores níveis de pessimismo tiveram um risco 48% menor de apresentar um derrame cerebral ao longo de um acompanhamento de sete anos quando foram comparados aos mais pessimistas.

Os resultados são consistentes com pesquisas anteriores que já haviam demonstrado que o pessimismo está associado a um maior risco de infarto do coração ou morte. As pesquisas também sugerem que o pessimismo e o otimismo não devem ser considerados como diferentes faces da mesma moeda, mas possivelmente faces de diferentes moedas. Pacientes com diagnóstico de câncer e altos graus de pessimismo sobrevivem menos tempo que aqueles com baixos graus, independente de sintomas depressivos. Em contraste, aqueles muito otimistas não vivem mais tempo que os pouco otimistas.

Uma expectativa negativa do futuro pode influenciar a saúde através de mudanças nos hábitos de vida, mas também por fatores biológicos como alterações na atividade do sistema nervoso autônomo. Ainda resta saber também se intervenções que modulem a mente para ter menos pensamentos pessimistas podem ter impacto positivo na promoção da saúde.

Autor: da Redação do Planeta Médico
Fonte: Portal VoIT

07/01/2010

Os antidepressivos foram mais eficazes que o placebo só para os pacientes com depressão aguda, que representavam 40% do total

O antidepressivo é o medicamento mais receitado nos Estados Unidos, mas um estudo publicado nesta quarta-feira (6) questiona sua eficácia com os pacientes que sofrem de casos mais leves de depressão.

Os autores da pesquisa, publicada hoje na revista “Journal of the American Medical Association”, estudaram os dados de seis análises clínicas com 718 pacientes, que tomaram aleatoriamente antidepressivos ou placebo.

Os antidepressivos foram mais eficazes que o placebo só para os pacientes com depressão aguda, que representavam 40% do total.

Robert DeRubeis, psicólogo da Universidade da Pensilvânia e coautor do relatório, lembra no estudo que os casos muito graves representam menos de 30% das pessoas que procuram tratamento.

Em declarações ao jornal “The Washington Post”, o psicólogo diz que é preciso “tomar nota e perguntar sobre os custos e os benefícios” dos antidepressivos.

O especialista assinala que os resultados do estudo deveriam ser levados em conta pelos médicos na hora de receitar antidepressivos nos casos mais leves, moderados e até nos mais sérios.

Em vez disso, segundo DeRubeis, os médicos deveriam considerar alternativas que não envolvam remédios, como o exercício e a psicoterapia.

Karein Riley, porta-voz da Agência de Alimentos e Remédios (FDA), indicou em comunicado que a análise é “útil”.

Um estudo mais amplo publicado em fevereiro de 2008 havia alcançado conclusões similares às do divulgado hoje. Nesse estudo, os pesquisadores utilizaram dados de todas as análises clínicas entregues à FDA para a obtenção de licenças para medicamentos como Prozac, Effexor e Paxil.

Autor: Imprensa
Fonte: EFE

08/01/2010

Os pesquisadores são do National Institute on Drug Abuse (NIDA)

Pesquisadores americanos identificaram um mecanismo genético que ajuda a explicar o vício em cocaína, e abre um potencial caminho para novos tratamentos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (7).

A pesquisa revela como a cocaína atua em um proceso, chamado epigenético, segundo o qual a expressão de um gene é modificada nos circuitos cerebrais do prazer, que são os primeiros a serem afetados pelo consumo contínuo de qualquer droga.

Os pesquisadores do National Institute on Drug Abuse (NIDA) administraram a um grupo de camundongos doses repetidas de cocaína, enquanto mantinham outro grupo destes animais recebendo injeções de uma solução salina.

No fim do estudo, as cobaias do segundo grupo receberam uma única dose de cocaína. Assim, os cientistas puderam determinar os efeitos no cérebro do consumo regular de cocaína e compará-lo ao impacto de uma só dose da droga.

O estudo confirmou que um dos mecanismos pelos quais a cocaína altera os centros de prazer no cérebro consiste em neutralizar uma enzima que tem papel crucial no controle da expressão de um gene. Como já se havia observado, os ratos submetidos a um consumo regular de cocaína mostraram alterações importantes da expressão do gene, além de terem se habituado fortemente ao consumo da droga.

Neste estudo, porém, os pesquisadores mostraram pela primeira vez que é possível bloquear a alteração da expressão do gene, provocada por doses regulares de cocaína, impedindo assim o vício na droga. “Esta descoberta fundamental avança nossa compreensão do mecanismo do vício em cocaína”, destacou Nora Volkow, diretora do NIDA, que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Para Volkow, o estudo “oferece um novo alvo potencial para o desenvolvimento de um tratamento para combater o vício”.

Autor: Imprensa
Fonte: AFP

Criar doenças mentais só atrapalha tratamento, diz ícone da psiquiatria

Goldberg elaborou e provou a eficácia do uso de questionários mais simples para estimar a prevalência de transtornos psiquiátricos em grandes populações

O psiquiatra que criou uma das ferramentas mais usadas hoje em saúde pública diz que os livros considerados as bíblias dessa área médica pecaram por inventar um número muito grande de doenças mentais.

Na opinião de Sir David Goldberg, professor do King’s College de Londres, psiquiatras precisam abandonar o hábito de subdividir transtornos como depressão e ansiedade em uma infinidade de subtipos e evitar listar comportamentos normais como sintomas de doenças.

Goldberg elaborou e provou a eficácia do uso de questionários mais simples para estimar a prevalência de transtornos psiquiátricos em grandes populações. O feito lhe rendeu prestígio na comunidade médica e seu título de cavaleiro concedido pela coroa britânica.

Em entrevista à Folha em São Paulo, onde esteve para o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, falou sobre sua proposta para as novas edições dos livros que ditam o establishment da psiquiatria: o DSM (Manual de Diagnósticos e Estatísticas), da Associação Americana de Psiquiatria, e a CID (Classificação Internacional de Doenças), da OMS. Ele integra as duas comissões.

Folha – Quais são as mudanças que o sr. está propondo para a classificação de doenças mentais?

David Goldberg – Temos transtornos muito relacionados uns com os outros, em diferentes capítulos das duas classificações. Se você tem um transtorno em dois ou mais capítulos, significa que você tem duas ou três doenças completamente diferentes. Acho isso estúpido, porque há apenas variações pequenas de sintomas que distinguem um transtorno do outro.

Estou me referindo aos transtornos emocionais, que incluem as depressões unipolares simples, os estados de ansiedade, os transtornos de medo e os de ordem somática. Essa distinção clara entre doenças não existe na natureza.

Você só pode fazer diagnósticos ignorando alguns sintomas, então seria melhor se os médicos apenas descrevessem os sintomas gerais que as pessoas têm nesse grupo de transtornos.

Hoje, os psicólogos já fazem isso, falam em coisas como “transtorno de pânico com ansiedade geral” ou “agorafobia com pânico” e combinações de transtornos de medo. Nós poderíamos fazer o mesmo. Por que não falamos em “depressão ansiosa”, que é o tipo mais comum de transtorno, ou “ansiedade com sintomas somáticos”, se essas são as combinações que se costuma encontrar?

Folha – No Brasil, a comunidade acadêmica usa mais o DSM, enquanto as autoridades de saúde usam a CID. Isso não gera confusão?

Goldberg – A CID tem três diferentes versões. Uma delas é a versão acadêmica, que é uma “cópia xerox” do DSM. É um xerox muito malfeito, porém, porque há 78 diferenças entre a maneira como ambos definem doenças mentais. É preciso harmonizar essas diferenças, porque ter um diagnóstico definido de duas maneiras diferentes deixa todo mundo louco.

Folha – Alguns psicólogos creem que se diagnostica depressão em pessoas com um tipo normal de tristeza. O DSM e a CID têm culpa nisso?

Goldberg – Com relação ao DSM, há uma tendência de incluir no manual aquilo que se chama de depressão subclínica, abaixo do limiar [para ser considerada transtorno]. Eu me oponho a isso rigorosamente porque não gosto de medicalizar estados de tristeza moderada pelos quais todos passamos. Os pacientes querem saber se existe uma intervenção que vai ajudá-los. Não existe evidência de que, em se tratando da depressão subclínica, eles serão ajudados com uma droga.

Folha – Outro ponto do DSM sobre o qual há controvérsia é o TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade). Alguns psicólogos dizem que crianças desatentas, porém normais, têm sido diagnosticadas e tratadas com ritalina.

Goldberg – É um risco opinar sobre algo que ocorre em outros países [como os EUA], mas minha impressão é que há diagnóstico em excesso. Mas o que me preocupa mais são as drogas letalmente ativas que estão sendo usadas para tratar crianças hiperativas. Fico alarmado quando crianças as tomam.

Folha – Isso não seria problema se a ritalina não fosse tão usada?

Goldberg – A ritalina é muito eficiente para hiperatividade, não é o caso de bani-la. Muitos professores primários se recusam a ter algumas crianças em suas salas a menos que elas tomem ritalina. Do ponto de vista do ensino, ela é defensável.

Folha – Quanto ao excesso de diagnósticos, se a culpa não é do DSM, são os psiquiatras americanos que estão exagerando?

Goldberg – Há pessoas que não são americanas e se interessam em transtornos subclínicos. Elas querem identificá-los e atribuir-lhes códigos numéricos com aparência científica. Você tem de limitar o que define como doença mental, e o melhor meio de fazer isso é rotular apenas coisas para as quais haja evidência de que tratamentos ativos sejam melhores do que placebos. As evidências são pobres de que a depressão subclínica, por exemplo, é afetada pelo tratamento.

Se perguntar a adolescentes sobre seus hábitos alimentares, aqueles que poderiam ser chamados de transtornos alimentares subclínicos são muito mais comuns do que a bulimia e a anorexia nervosa completas.

Muitos estão sendo diagnosticados com “transtornos alimentares não classificados”. Se você quer impedir esses transtornos de se desenvolverem, é preciso reconhecer que eles existem em um grau subclínico, sem necessariamente chamá-los de doenças. O que importa é que a criança e a família recebam bons conselhos. Há áreas em que olhar para os transtornos subclínicos é útil, do ponto de vista preventivo.

Folha – Os manuais ainda incluem transtornos de conduta sexual?

Goldberg – Sim. É útil ter nomes para transtornos para os quais existe um bom tratamento. Um dos aspectos positivos sobre problemas sexuais é que geralmente eles são tratáveis.

Folha – Os psiquiatras têm mostrado vontade de mudar a CID?

Goldberg – Nem todo mundo agirá em favor de uma nova classificação, mas é interessante ver como as classificações mexem com a visão dos médicos. Eles veem o mundo por categorias descritas nas grandes classificações, e acho que simplificá-las seria importante para eles e para a humanidade.

Autor: Rafael Garcia
Fonte: Folha online

02/12/2009

Muitos médicos consomem bebidas alcoólicas para lidar com a tensão, indica estudo

O estudo será publicado na revista científica European Addiction Research

Um estudo que será publicado na primeira edição de 2010 da revista científica European Addiction Research indica que os esforços para reduzir o consumo de bebida entre os estudantes de medicina e os médicos devem focar tanto as expectativas com relação à bebida (mitos) quanto o consumo excessivo (comportamento).

Para determinar se a expectativa por parte dos médicos de que o álcool alivie a tensão poderia predizer a extensão do consumo perigoso, e se este efeito seria mediado pelo hábito de beber para suportar, pesquisadores noruegueses acompanharam, por seis anos, um grupo de 288 médicos noruegueses que consumiam bebidas alcoólicas. A expectativa de que o álcool reduzisse a tensão e o uso de álcool para lidar com a tensão foram medidos 3,5 anos após a graduação (T1); e o hábito lesivo de beber foi avaliado no T1 e 9,5 anos após a graduação (T2).

No T1, 15% dos homens e 3% das mulheres relataram beber em grande quantidade, enquanto, no T2, esta proporção foi de 16% e 2%, respectivamente. A expectativa de que o álcool reduzisse a tensão foi maior entre os homens do que entre as mulheres (p=0,03), e não foi observada diferença quanto ao hábito de beber para lidar com a tensão.

Os preditores de consumo abusivo no T2 foram o sexo masculino (p<0,01), a expectativa em relação ao álcool (p<0,01) e o consumo perigoso de álcool em T1 (p<0,001). O efeito da expectativa em relação ao álcool sobre o consumo em excesso em T2 não foi mediado pela bebida como forma de lidar com a tensão. E o consumo exagerado em T1 mediou o efeito de beber para lidar com o estresse em relação ao consumo excessivo em T2.

Fonte: European Addiction Research. Volume 16, Number 1, 2010. Pages 17-22

Autor: Bibliomed
Fonte: Bibliomed

30/11/2009

Pesquisa mostra que mais de 80% dos fumantes no país não querem deixar o vício

A maioria das pessoas que fumam no país conhece os malefícios desse hábito, mas não tem intenção de deixar o tabaco a curto prazo

A maioria das pessoas que fumam no país conhece os malefícios desse hábito, mas não tem intenção de deixar o tabaco a curto prazo. É o que revela estudo inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado hoje (27).

A Pesquisa Especial do Tabagismo analisou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2008 e seguiu metodologia de estudos internacionais. O objetivo é auxiliar na elaboração de políticas de combate ao fumo no país.

Segundo o documento, 93% dos 24,6 milhões de fumantes brasileiros conhecem os malefícios do produto, como o câncer de pulmão, o ataque cardíaco e o derrame. No entanto, cerca de 47% não pensavam em largar o hábito na data da entrevista e 33,5% até pensavam nisso, mas não nos próximos 12 meses.

De acordo com uma das coordenadoras do levantamento, Marcia Quintslr, o fato de os fumantes saberem dos malefícios à saúde causados pelo tabaco e mesmo assim não desejarem parar de fumar deve ser alvo de mais estudos. “Os especialista têm que se debruçar sobre isso”, avaliou.

A pesquisa também destacou que 6,7% tentaram abandonar o vício com ajuda de remédios e 15,2% com ajuda de profissionais de saúde. Do total de fumantes entrevistados, 45,6% informaram que fizeram algum tipo de tentativa.

A pesquisa também mostra que para a decisão de parar de fumar, os fumantes se motivam com campanhas antitabagistas. Os rótulos de advertência nos maços levaram 65% de fumantes a deixar o vício, um ano antes da pesquisa.

Autor: Isabela Vieira
Fonte: Agência Brasil

Extraído de: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a2732742.xml

Saúde | 29/11/2009 | 15h42min
Tarja preta: dose, remédio ou veneno?
Saiba os benefícios e problemas que esses remédios trazem
Ângela Bastos | angela.bastos@diario.com.br
— Doutor, quero que o senhor me receite Rivotril.

— Por que você quer Rivotril? — pergunta o médico.

— Porque preciso estudar e passar em um concurso público.

O cenário é o consultório do psiquiatra Marcos Zaleski, em Florianópolis, especialista em dependência química pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e mestre em Psicofarmacologia no Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

— Não sei se tenho alguma doença. Insônia, sim. Uma colega de trabalho me deu Rivotril e foi ótimo.

O espaço é o balcão de uma loja no Bairro Kobrasol, em São José, na Grande Florianópolis. A atendente conta que a medicação devolveu-lhe a sensação de relaxamento, pois, mesmo depois de horas no MSN (programa de conversa simultânea pela internet) rolava na cama e não conseguia dormir.

Como a caixinha do remédio terminou, foi consultar com a mesma médica da amiga. Argumentou problemas pessoais, em família e no trabalho. Conseguiu o que queria:

— A médica perguntou se eu já havia tomado algum remédio. Disse que não, mas que minha tia tomava Rivotril e que todo mundo notava melhoras nela.

No bairro Prainha, em Florianópolis, o assunto é parecido:

— Os filhos crescem e a gente não descansa enquanto não voltam para a casa. Só mesmo com calmante para se aquietar — conta a mulher, que toma a medicação receitada por uma médica do SUS.

Rivotril é o remédio da moda. Um tranquilizante do grupo dos benzodiazepínicos, usado para controlar a ansiedade. Está na ponta da língua de pessoas que utilizam algum medicamento tarja preta. Precisem deles ou não.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta que o Rivotril é o segundo medicamento mais vendido no Brasil.

A Secretaria de Estado da Saúde não tem levantamento sobre o consumo dos remédios com tarja preta no Estado. O órgão repassa valores de acordo com as exigências dos municípios, por meio da Assistência de Saúde Básica, e cada um tem autonomia para a compra dos medicamentos.

Com mais de 20 anos de experiência no ramo, o médico Marcos Zaleski reclama:

— O profissional se pergunta o que está fazendo ali. O paciente acha que sabe o que tem e vem de casa com o nome da medicação.

Inversão de papéis, onde o médico deveria primeiro ouvir o paciente para depois dar o diagnóstico e recomendar o tratamento, é cada vez mais comum. Repete-se do consultório sofisticado ao centro de saúde da periferia.

Na antessala do consultório ou na fila do SUS, outra conclusão: o paciente também se apoderou de expressões antes restritas à classe médica. Não importa se tem o curso superior ou séries primárias. O vocabulário inclui termos como fobias, ansiedade, pânico, déficit de atenção e transtornos mentais.

A questão tornou-se mais evidente a partir dos anos 1990, quando os assuntos do cérebro romperam as barreiras científicas. Exames como ressonância magnética começaram a alimentar os pacientes com novas informações. A medicina mostrou às pessoas o que estava dentro de sua caixola. Fez mais: explicou a elas o efeito que determinada droga causa em algumas regiões do cérebro.

Houve outras mudanças. O modelo antes chamado simplesmente de loucura, passou a ser visto de forma diferente, como doença mental. Até os anos 1980, o psiquiatra era visto quase como um não-médico. Hoje, é comum um vestibulando dizer que fará Medicina para se dedicar à psiquiatria.

Casos de depressão avançam no mundo

É bom que façam isso. Previsões da Organização Mundial da Saúde indicam que a depressão, por exemplo, afeta 120 milhões de pessoas no mundo. É considerada a quarta enfermidade mais incapacitante. Um estudo feito em 1996 indicou que, em 2020, será a segunda doença entre a população, perdendo, apenas, para doenças isquêmicas do coração.

Mas não dá para esquecer de Paracelso. Médico e alquimista suíço que viveu entre 1943-1541, Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim avisou: a dose certa diferencia um veneno de um remédio.

Já a psiquiatra Letícia Maria Furlanetto, professora no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina, sugere cautela:

— A questão nem é tanto a dose. Mas que exista um profissional para receitar, acompanhar e suspender o uso quando necessário.

Fora disso, diz, a banalização é um demônio.

:: O que são as tarjas

Tarja preta: informa que o medicamento é de alto risco, não pode ser consumido sem prescrição médica. A venda deste tipo de medicamento deve ser obrigatoriamente com a apresentação da receita médica.

Tarja vermelha: de menor risco, embora também seja vendido apenas com receita médica. Não representa risco de vida, mas apenas de efeitos colaterais.

Sem tarja: pode ser vendido sem a apresentação da receita médica, mas o consumidor deve manter os cuidados recomendados para os demais medicamentos.

:: A escalada do ansiolítico no Brasil

Em 1998, o ansiolítico da época, o Lexotan, estava em sexto no ranking dos mais vendidos. Dez anos depois, o Rivotril aparece em segundo lugar.

1998

1 – Cataflam (analgésico e anti-inflamatório)

2 – Novalgina (analgésico e antitérmico)

3 – Hipoglós (pomada contra assaduras)

4 – Neosaldina (analgésico e antiespasmódico)

5 – Voltaren (antirreumático, anti-inflamatório e analgésico)

6 – Lexotan (ansiolítico)

7 – Redoxon (vitamina C)

8 – Buscopan Composto (antiespasmódico e analgésico)

9 – Sorine (descongestionante nasal)

10 – Vick Vaporub (unguento descongestionante)

2004

1 – Microvlar (anticoncepcional)

2 – Neosaldina (analgésico e antiespasmódico)

3 – Hipoglós (pomada contra assaduras)

4 – Buscopan Composto (antiespasmódico e analgésico)

5 – Novalgina (analgésico e antitérmico)

6 – Rivotril (ansiolítico e anticonvulsivante)

7 – Tylenol (analgésico e antitérmico)

8 – Cataflam (analgésico e anti-inflamatório)

9 – Neovlar (anticoncepcional)

10 – Luftal (antigases)

2008

1 – Microvlar (anticoncepcional)

2 – Rivotril (ansiolítico e anticonvulsivante)

3 – Puran T4 (hormônio tireoidiano)

4 – Hipoglós (pomada contra assaduras)

5 – Neosaldina (analgésico e antiespasmódico)

6 – Buscopan Composto (antiespasmódico e analgésico)

7 – Salonpas (analgésico e anti-inflamatório)

8 – Tylenol (analgésico e antitérmico)

9 – Novalgina (analgésico e anti-inflamatório)

10 – Ciclo 21 (anticoncepcional )

Fonte: Ministério da Saúde

30/09/2009

Derrame cerebral emite sinal de perigo antes de ocorrer

Um em cada oito casos de acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame, é precedido por um pequeno alerta

Sinal de perigo

Um em cada oito casos de acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame, é precedido “por um pequeno alerta”, ou melhor, um ataque isquêmico transitório, segundo estudo publicado na revista Neurology, da Academia Norte-Americana de Neurologia.

Outra pesquisa, divulgada nesta semana, indica que um exame simples dos olhos, feitos no consultório, pode detectar com segurança a ocorrência dos derrames cerebrais e também destes ataques isquêmicos precursores – veja a reportagem Exame dos olhos supera a ressonância magnética no diagnóstico de derrame cerebral.

“Os resultados ressaltam a necessidade de termos melhores instrumentos de avaliação de riscos para prevenir AVCs antes que eles ocorram”, disse Daniel Hackam, da Universidade de Ontário Ocidental, no Canadá, um dos autores do estudo. “Até 80% dos AVCs após ataques isquêmicos transitórios podem ser prevenidos quando os fatores dos riscos são bem avaliados.”

Ataque isquêmico transitório

Os pesquisadores identificaram todos os pacientes que passaram por hospitais de Ontário com diagnóstico de AVC durante quatro anos. Do total de 16,4 mil pacientes, 2.032 (ou 12,4%) tiveram um ataque isquêmico transitório antes do AVC. Durante um ataque transitório, sintomas de derrame duram menos de 24 horas.

Aqueles que não tiveram um sinal de aviso tiveram maior probabilidade de apresentar um AVC mais sério do que os demais. Também tiveram maior probabilidade de morrer (15,2% contra 12,7%) e de ter parada cardíaca inesperada (4,8% contra 3,1%) enquanto permaneceram no hospital.

Diferenças de idade

Já os pacientes que tiveram um ataque isquêmico transitório eram tipicamente mais velhos do que os que não tiveram sinais anteriores ao AVC. Também apresentaram mais casos de diabetes, pressão alta e problemas cardiovasculares.

“É possível que os vasos sanguíneos daqueles que apresentem o alerta estivessem condicionados à falta do fluxo de sangue, o que os protegeu do impacto completo do acidente vascular principal. Qualquer pessoa que tiver um sinal, ainda que pequeno, deve procurar um hospital imediatamente”, disse Hackam.

Autor: da FAPESP
Fonte: Diário de Notícias

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