O Ministério da Saúde modificou aspectos fundamentais do Protocolo de Procedimentos para o Manejo de Casos e Contatos de Influenza A H1N1, em sua versão IV, atualizado em 02/06/2009. Segundo este documento: “mesmo considerando a limitação dos dados disponíveis, a OMS divulgou novas orientações para o manejo clínico dos casos,” e ”foram revistas as definições de caso, visando adaptar as normas da vigilância epidemiológica no Brasil à situação atual”.
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SUPERA – 2ª. edição
Sistema para detecção do Uso abusivo e dependência de substâncias Psicoativas: Encaminhamento, Intervenção breve, Reinserção social e Acompanhamento.
Iniciou-se em 14 de abril de 2008 a 2a. edição do curso de educação à distância SUPERA Sistema para detecção do Uso abusivo e dependência de substâncias Psicoativas: Encaminhamento, Intervenção breve, Reinserção social e Acompanhamento – promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas SENAD em parceria com a Universidade Federal de São Paulo UNIFESP, executado pelas equipes da Unidade de Dependência de Drogas UDED do Departamento de Psicobiologia e do Laboratório de Ensino à Distância do Departamento de Informática e Saúde da UNIFESP.
Os alunos inscritos e selecionados já podem acessar o conteúdo restrito, utilizando o nome de usuário e a senha enviados por email. Em caso de dúvidas entre em contato com nosso tutores pelo telefone 0800 7701757 ligação gratuita. A próxima edição do curso está prevista para o 2o. semestre e a SENAD divulgará ao final deste semestre os critérios de seleção.
link: www.supera.org.br
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27/04/2009
Os médicos e a Interiorização
Por: Arimatéia de Macêdo
Sou do sul do Ceará, nascido em Aurora, cidade com aproximadamente 35.000 habitantes. Hoje estou vivendo no estado do Tocantins onde luto e pretendo continuar lutando por uma medicina de qualidade, porém com muito respeito e consideração aos profissionais
Vez por outra se lê, se ouve, e se assiste nos meios de comunicação reportagens apresentando estatísticas onde se observam que a maioria dos médicos encontra-se nas grandes cidades, em detrimento do interior do País.
Neste momento surge uma pergunta. Qual ou quais são os motivos que levam estes profissionais a fazer esta escolha? Por que esta é a opção mais selecionada? Irei avaliar, sob minha ótica, emitir uma opinião de mais de 20 anos trabalhando no Interior deste maravilhoso Brasil.
Sou do sul do Ceará, nascido em Aurora, cidade com aproximadamente 35.000 habitantes. Meu pai era fotógrafo e minha mãe funcionária pública. Quando resolvi fazer Medicina, as opções de cursos médicos eram poucas ou quase nenhuma nas cidades do interior nordestino. Escolhi Recife onde fui aprovado na Universidade Federal. Porém colei grau na Universidade Federal do Ceará. Já neste período a carência de médico era preocupante.
Eu tinha como propósito, desde que decidi ser médico, morar e trabalhar na minha cidade e nos municípios circunvizinhos. E assim o fiz logo após minha formatura. Hoje estou vivendo no estado do Tocantins onde luto e pretendo continuar lutando por uma medicina de qualidade, porém com muito respeito e consideração aos profissionais da área, em especial, os médicos.
Eu era do sertão e já, como muitos na minha situação, iam estudar fora para depois voltar. Porém não era o que acontecia. A ampla maioria via no grande centro urbano mais opções em termo de lazer, melhor qualidade de vida e, claro, mais opções de capacitação e educação médica continuada. Ou seja, estava no meio da ciência, e não era importante se afastar. O que é fundamental para uma boa vida profissional. Tinha na cidade grande o inconveniente dos baixos salários e o elevado número de médicos.
Ao retornar ao interior nos deparava-se com melhores salários, um trabalho mais ameno, e uma vida menos agitada. Além de estar no meio dos familiares, que era muito salutar. Porém era muito pobre a agenda cultural e científica, além da dificuldade para receber o salário dos serviços públicos.
Nas metrópoles onde praticamente todos se formavam, continuava sem alteração a questão laboral. Evoluindo, naturalmente, o nível da formação e da educação continuada devido ao desenvolvimento tecnológico. Os proventos cresceram não motivados por aumento salarial, mas pela estabilidade econômica estabelecida pelos governos que se sucederam, ainda assim continuando muito aquém dos soldos pagos no interior.
A avaliação hoje em dia, apesar da evolução legal e tecnológica, é que mudou pouca coisa para contornar esta situação. Aliás, mudou para pior as perspectivas para os que estão nas cidades menores.
No interior apesar dos melhores salários, o desrespeito as leis trabalhistas, os atrasos, e até calotes nos pagamentos são expedientes normalmente usados. Isto é um desincentivo à migração para o interior.
Uma grande maioria dos gestores desprovidos de amor ao próximo, sem compromisso com a população que os elegeu, e alguns analfabetos mesmo, não honram os acordos assumidos. Primeiro por falta de pacto com a saúde e, na maioria das vezes, por serem irresponsáveis. Isto causa um sentimento de profunda desconfiança.
É natural que com este tipo de incentivo, os médicos que estão percebendo menos, porém com a certeza de embolsar seus proventos nas cidades maiores, deixem de migrar. Eles têm a convicção de que o alto salário prometido no interior não será repassado no dia do vencimento. Sem se falar nas dificuldades que se colocam para permitir o médico para uma capacitação.
Para que ocorra a inversão, e, por conseguinte, a resolução deste problema, necessário se faz que tenhamos leis severas e sumárias para quem não cumprir os contratos com os interioranos.
Os CRMs e Sindicatos Médicos passem a desempenhar seus papéis com altivez. Estas entidades conjuntamente deverão desenvolver ações no sentido de se fazer cumprir os acordos existentes entre os médicos e as prefeituras. Além de, em último caso, mobilizar os colegas para deixarem de atender, literalmente, nas cidades onde não forem cumpridos os acordos de trabalho. Se possível, até como uma medida extrema, divulgando nos meios possíveis uma lista de prefeitos e prefeituras que não são confiáveis ou não recomendados.
Trabalhar no interior é exeqüível. Tanto é que o PITS (Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde – MS) foi uma experiência exitosa, pois capacitava e pagava rigorosamente em dia.
Ir para o interior do Brasil hoje é uma questão meramente legal. Pois os salários e a qualidade de vida, que era um empecilho, têm melhorado sobremaneira nas pequenas e médias cidades.
Este profissional que for morar em qualquer local, por mais longínquo que seja, precisa de garantia que receberá seus proventos, terá avalizada a oportunidade de capacitação, bem como tudo que estiver sido acordado previamente. Esta é a chave do problema.
José Arimatéia de Macêdo
Médico – CRM TO 666
Sítio: www.arimateia.com
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Informações veiculadas pelo Ministério da Saúde na forma de slides:
http://www.slideshare.net/jc_online/apresentacao-gripe-suina
Extraído de: http://www.gripe.org.br
O que é
A influenza suína é uma doença respiratória causada pelo vírus A(H1N1). Devido a mutações no vírus e transmissão de pessoa a pessoa, principalmente por meio de tosse, espirro ou de secreções respiratórias de pessoas infectadas.
O vírus
O vírus foi identificado como Influenza A, subtipo H1N1, uma variante nova da gripe suína. Ele contém ADN típico de vírus aviários, suínos e humanos, incluindo elementos dos vírus suínos europeus e asiáticos.
Vacina
Não existe vacina para a gripe suína..
A vacina destinada à prevenção da “gripe convencional” oferece pouca ou nenhuma proteção contra o vírus H1N1.
O Japão anunciou que pretende desenvolver uma vacina eficaz.
Contágio
A contaminação se dá da mesma forma que a gripe comum, por via aérea, contato direto com o infectado, ou indireto (através das mãos) com objetos contaminados. Não há contaminação pelo consumo de carne ou produtos suínos.
Cozinhar a carne de porco a 70 graus Celsius destrói o vírus da gripe suína.
Sintomas
A gripe suína apresenta os mesmos sintomas da gripe humana comum.
Como Prevenir
• Evitar o contato direto com pessoas doentes.
• Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
• Evitar tocar olhos, nariz ou boca e lavar as mãos frequentemente com água e sabão.
• Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
• Em caso de adoecimento, procurar assistência médica .
• Não usar medicamentos sem orientação médica.
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Entrevista muito interessante na Globo. Links abaixo, em três partes para o YouTube.
> http://www.youtube.com/watch?v=XYkDwP0gw6o – medicina de familia 1
> http://www.youtube.com/watch?v=7EuMNl-f7xM – medicina de familia 2
> http://www.youtube.com/watch?v=4OELN-NcMww – medicina de familia 3
André
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O “Dr. Madoff” da indústria farmacêutica ou os efeitos do publish or perish
Data:
22/03/2009 14:24
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/03/21/ult580u3622.jhtm
O “Dr. Madoff” da indústria farmacêutica
Hervé Morin
Era tudo falso. Os pacientes, que supostamente teriam testado medicamentos que deveriam acelerar sua recuperação pós-operatório, nunca existiram. Os 21 artigos científicos onde estavam descritos os benefícios dessas fórmulas milagrosas não passavam de um emaranhado de estatísticas sem fundamento. Mas, acreditando nesses resultados fraudulentos, milhões de pessoas ingeriram fórmulas bem reais, que renderam quantias gigantescas às empresas que as comercializam: Pfizer, Merck ou Wyeth.
Scott Reuben inventou tudo. O anestesista americano, autor respeitado de dezenas de artigos médicos, confessou a fraude. Não por remorso. Mas porque ele foi desmascarado: dois dos resumos de estudos que ele havia produzido em maio de 2008 intrigaram os serviços de saúde do Baystate Medical Center (Massachusetts), onde ele chefiava o setor de analgesia. O dr. Reuben não tinha autorização para conduzir esses testes. A extensão da farsa não demorou a ser descoberta.
A fraude vinha acontecendo desde 1996. É uma das maiores do gênero. O sul-coreano Hwang Woo-suk, que em 2004 fingiu ter conseguido a primeira clonagem humana a partir de resultados falsificados, ou ainda o físico Hendrik Schön, da Bell Labs, autor de pelo menos 16 artigos “forjados” entre 1998 e 2001, são fichinha perto de Scott Reuben, às vezes chamado pela imprensa anglo-saxônica de “Dr. Madoff”, em referência ao vigarista das finanças.
A corrida pelas glórias, e pelos créditos que as acompanham, é o que move esse tipo de comportamento. Os “trabalhos” do dr. Reuben eram em parte financiados pela Pfizer, que havia feito dele um de seus porta-vozes durante conferências científicas nas quais suas intervenções eram remuneradas. Um representante da firma se disse “desapontado ao saber das acusações contra o sr. Reuben”. Este último não hesitava em defender junto às agências reguladoras de medicamentos o uso de fórmulas testadas em pacientes fictícios…
Enquanto se esperam eventuais desdobramentos judiciários, este caso, como a cada vez que uma fraude do tipo é revelada, leva ao questionamento da confiabilidade das publicações científicas, especialmente as médicas. Segundo a famosa máxima “publish or perish” [publique ou morra], na verdade é graças à publicação em revistas científicas que se constrói uma carreira. É por isso que elas possuem uma responsabilidade em especial sobre a qualidade dos trabalhos que lhes são submetidos. As melhores delas fazem com que eles sejam sistematicamente examinados por especialistas antes da publicação.
No caso do dr. Reuben, a falha desse filtro foi gravemente exposta.
Como o sistema editorial não desconfiou, especialmente pela produtividade de Reuben? Confiança abusiva, e abusada? Muitos estudos recentes mostram que inúmeros pesquisadores, em menor escala, se aproveitam de falhas desse sistema de autorregulação – muitas vezes considerado como o menos imperfeito.
O plágio parece ser uma forte tentação, ainda que a prática permaneça marginal. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas, e publicado na revista “Science” em 5 de março, permitiu assim identificar 212 pares de artigos duplicados em 86,2%, mas assinados por autores diferentes. Quando contatados, os plagiadores reagiram de formas diversas: 28% negaram ter agido de forma errada; 35% admitiram ter feito empréstimos, e se desculparam; 22% se declararam ser coautores não envolvidos na redação; 17% disseram ignorar que seus nomes apareciam no artigo incriminado. Metade dos casos de plágio apontados nos jornais científicos não recebeu resposta por parte dos editores.
Um outro estudo, publicado em 13 de fevereiro no “British Medical Journal”, mostra que algumas revistas facilitam, inconscientemente ou não, a publicação de trabalhos financiados pela indústria farmacêutica. Passando no pente fino 274 estudos sobre as vacinas de gripe, Tom Jefferson (Cochrane Vaccine Field, Itália) constatou que as que apareciam nos jornais consideradas como as melhores não eram necessariamente as mais bem concebidas ou mais pertinentes. O que fazia a diferença era a natureza do patrocinador do estudo. Em outras palavras, as grandes companhias farmacêuticas têm mais chance de ver os trabalhos que elas financiam publicados nas revistas de alta categoria. “Os patrocinadores industriais encomendam um grande número de exemplares dos estudos que valorizam seus produtos, garantindo eles mesmos a tradução. Eles também compram espaços publicitários nesses jornais. Já está na hora de revelarem suas fontes de financiamento”, observa Jefferson.
A Fundação Europeia para a Ciência (ESF) manifesta uma preocupação muito parecida em recomendações publicadas em 12 de março: ela acredita que os testes clínicos guiados pela curiosidade dos pesquisadores acadêmicos, mais do que pelos interesses industriais, podem ser um benefício maior para os pacientes.
Suspeita de instrumentalização, a publicação médica às vezes também é criticada por aquilo que ela não publica. Um estudo divulgado na Internet, pela revista “PLoS Medicine” em 17 de fevereiro, mostra que os estudos clínicos franceses de fase I – destinados a avaliar a toxicidade de um possível medicamento – possuem uma probabilidade muito pequena de serem publicados em revistas científicas: 17%, contra 43% dos estudos de fase II a IV, mais próximos da comercialização. Ora, mesmo que eles se revelem negativos, os resultados de fase I não devem ser ignorados: pode-se aprender sobre as fórmulas testadas, evitando que outros sigam pistas falsas.
Será que esses estudos, no contexto do caso Reuben, devem levar a novos códigos de conduta entre os cientistas e editores? Os otimistas dirão que os trapaceiros sempre acabam se traindo. Os outros pedirão por uma maior transparência sobre os laços financeiros entre os diversos agentes. Mas em um contexto mais geral de crise econômica, a maior parte concordará que um aumento na vigilância é indispensável.
Tradução: Lana Lim
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Rivotril: por que o medicamento é o segundo mais vendido no país?
Uma droga barata, mas de tarja preta, contra a ansiedade vende mais do que os tradicionais Tylenol e Hipoglós
Cristiane Segatto e Ivan MArtins Colaboraram Danilo Soares e Marcela Buscato
PALIATIVO
Ecleide em seu quarto, em Santo André. Ela sofre de insônia e sentia-se melhor antes de abandonar a psicoterapia.“Parei por relaxo”, diz. Hoje, só dorme com RivotrilAlguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade – tarja preta, vendido apenas com retenção de receita – se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o velho Rivotril, que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o ranking dos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica. Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar.
O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país – vende menos que anticoncepcionais, analgésicos, antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países.
A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina. Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades, castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram “assustador” – e que depõe frontalmente contra a imagem de “nação feliz” que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar.
O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receita de Rivotril. “Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro”, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Mas ele pode mascarar quadros mais graves.” O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. “Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum”, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro. “Mas o atendimento é tão precário que nem se nota a diferença.”
O terceiro fator que contribui para a venda de Rivotril é o que o psicanalista Plínio Montagna chama de “glamorização do ato de medicar-se”. No passado havia preconceito contra os remédios psiquiátricos. Recentemente, houve uma guinada cultural e eles passaram a ser vistos como resposta a todos os problemas da existência. Os médicos (sobretudo os que não são psiquiatras) receitam remédios psiquiátricos com total desenvoltura. Da parte dos pacientes, também existe a expectativa de que isso aconteça.Todos têm pressa.
“Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam”, diz Montagna, que é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Questões existenciais são tratadas como sintomas médico-psiquiátricos, com a colaboração de “uma avassaladora quantidade de dólares” gastos em publicidade pela indústria farmacêutica. “É frequente eu receber para tratamento pacientes com dosagens excessivas de medicação ou coquetéis de diversas substâncias, sem que os aspectos psicológicos tenham sido levados em consideração”, afirma o psicanalista, que também é formado em psiquiatria.
Por trás da precariedade do sistema de saúde e do modismo da medicação, existe a crescente incapacidade das pessoas – e dos médicos – em conviver com um dos sentimentos mais enraizados da psique humana, a ansiedade. Ela está lá desde os primórdios do homem, associada a temores e ameaças indefiníveis. Embora desagradável, é um dos motores da existência. Faz parte da nossa constituição evolutiva. “Ela é um estado de alerta, um estímulo para produzir. O contrário da ansiedade é a apatia”, diz o psicanalista Eduardo Boralli Rocha. Totalmente diferente dessa ansiedade benigna é a combinação explosiva de urgência, competição e sentimento de exclusão que caracteriza o nosso tempo.
“As pessoas sentem que em algum lugar está havendo uma festa para a qual elas não foram convidadas e têm de correr atrás”, diz Boralli. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, dizia que a ansiedade era o sintoma de algo que não estava bem resolvido interiormente. Ele diferenciava entre a ansiedade produzida por uma situação externa real e aquela imaginada ou brutalmente amplificada por nossos medos interiores. A primeira não deveria ser medicada, mas ela tornou-se tão presente, tão avassaladora, que é isso que tem sido feito, em larga escala.
(segue em…)
Publicado na Revista Época: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI27270-15257,00-RIVOTRIL+POR+QUE+O+MEDICAMENTO+E+O+SEGUNDO+MAIS+VENDIDO+NO+PAIS.html
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14-01-2009
Programa Saúde da Família
No dia 10 de janeiro, o DC publicou um artigo
No dia 10 de janeiro, o DC publicou um artigo do presidente da Sociedade Brasileira de Clinica Médica, Antonio Carlos Lopes (conhecido no meio médico como ACL). Alguns equívocos precisam ser esclarecidos.
O Programa Saúde da Família (PSF) deixou de ser um programa, embora tenha mantido este consagrado rótulo, em 1998, quando Adib Jatene elevou-o à condição de estratégia de Estado. Tem sido elogiado mundialmente e é, segundo a Organização Mundial da Saúde, um exemplo a ser seguido. Diversos estudos demonstram que o PSF tem contribuído para a diminuição da mortalidade infantil e para o controle de epidemias como a dengue.
Ao contrário do que afirma ACL, não são 40 mil mas sim 29.300 equipes cobrindo 49,51% da população. Além disso, o PSF não está na mão dos “não médicos”, como diz aquele texto, mas sim de equipes compostas por médico de família e comunidade, enfermeiro, técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde. Este modelo é utilizado com sucesso em países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Canadá.
Santa Catarina é o Estado do Sul com melhor cobertura (67,44%). Florianópolis foi selecionada recentemente pela Fiocruz como uma das quatro melhores capitais e é a única que tem exigido o título de medicina de família e comunidade aos médicos que se candidatam a trabalhar no PSF.
Quem está no dia-a-dia dos postos de saúde sabe das qualidades e desafios da estratégia. A deficiência não é o atendimento precário, mas sim a grande demanda da população por serviços de qualidade, como o oferecido pela maioria das equipes do PSF. Ao invés de críticas pouco fundamentadas, algumas lideranças médicas deveriam conhecer antes a realidade das unidades de saúde e da própria população.
Por Gustavo Gusso e Enaiani Silveira, Médico de Família do PSF e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família; médica de Família do PSF/ Lages e presidente da Associação Catarinense de Medicina de Família
Créditos:
Jornal Diário Catarinense, 14/01/2009
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04-02-2009
Cidades sem médicos
Por José Luiz Gomes do Amaral
Há muito se fala em interiorização de médicos no Brasil. É certo que o país tem um número excessivo de médicos em relação à capacidade do sistema de saúde pública absorvê-lo, o que faz com que esses profissionais se concentrem nas áreas de maior desenvolvimento, deixando vastas regiões sem assistência.
São várias as razões que determinam essa distribuição iníqua. A primeira é a falta de resolutividade nas estruturas de saúde encontradas nas regiões desassistidas. Isto faz com que o médico ali instalado não tenha condições de ver tornadas efetivas suas ações. Faltam-lhe recursos para diagnosticar e tratar os pacientes.
Em segundo lugar, para que um médico se fixe é preciso que haja ambiente de trabalho adequado. Pressões, sejam elas associadas ao excesso de demanda, à insuficiência de recursos ou mesmo ao uso político do médico por autoridades e gestores locais, tornam insustentável sua permanência em certos municípios.
O terceiro ponto é a impossibilidade de desenvolvimento profissional, que faz do médico um exilado em seu próprio país. No Sistema Único de Saúde não existe carreira que permita ao médico desenvolver-se e qualificar-se para postos que sejam, ao longo de sua vida pessoal, compatíveis com a profissão. A mobilidade é essencial na carreira, quando se pensa em prover com médicos áreas remotas. Isso só seria possível dentro de um plano de carreira federal. As carreiras municipais isolam os que dela fazem parte, impedindo deslocamentos para outros municípios.
O salário é um aspecto importante, mas não está entre os primordiais para a fixação dos médicos. O que nos surpreende é que todas essas causas de fixação ou migração são bastante conhecidas. Os que gerenciam a saúde, porém, insistem em ignorá-las. Perdem-se em alternativas periféricas que, longe de corrigir os desvios, apenas acrescentam-lhes distorções, degradando a profissão médica e ampliando o fosso que nos aparta do mundo desenvolvido.
Por José Luiz Gomes do Amaral – Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)
Créditos:
Jornal Diário Catarinense, 04/02/2009
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